terça-feira, 7 de abril de 2009

Análise do Desenvolvimento Histórico da Internet

O autor do livro (Economia Política da Internet) e em específico no capítulo 3 (Para uma análise do desenvolvimento histórico da internet) logo no principio do conteúdo declara que a Internet foi criada com uma ideologia de obter lucros com o passar do tempo, após o desenvolvimento do sistema. No principio a Internet servia como um instrumento tecnológico a serviço da defesa de um determinado sistema político e econômico, no caso sistemas dos Estados Unidos. Neste início da rede os “usuários sofisticados” defendiam atividades não mercantis dentro da rede. Porém a entrada de interesses comerciais na Internet no início dos anos 90 atraiu outros tipos de usuários diferentes daqueles primários.
No texto encontramos o relato de como foi o desenvolvimento da rede (ARPA) Agência de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que começou a operar em 1969, e nessa época tinha o objetivo de se expandir gradualmente e era sustentada com recursos públicos. Nesta fase de criação ou fase experimental da rede são desenvolvidas importantes tecnologias. A Arpanet nasceu em ambiente acadêmico e institucional e os produtos desenvolvidos nesta época tinham caráter de uso totalmente gratuito, com raras cobranças e de valor simbólico.
Em 1979 nascem os grupos de discussão online sobre computadores na rede Usenet criada por universitários norte americanos, não participantes da Arpanet e que foi distribuída também gratuitamente aos seus usuários. Neste período experimental não se pode falar de uma economia da internet. Nesta fase da rede o que impera é o experimentalismo, criação de linguagem e dispositivos do meio.

Nos anos 80 as inovações tecnológicas são de expansão da rede para outros países e encontrar as primeiras aplicações comerciais para ela. Em meio há uma série de acontecimentos em 1989, TIM Berners-Lee começou a desenvolver o projeto World Wide Web que facilitaria a troca de informações e o envio dos mais variados tipos de arquivo, e que viria a ser lançado em 1990. Quando a Internet passa a ser chamada assim a Arpanet deixa de existir. A criação e o registro do sistema de domínios foi determinante para a principal maneira de exploração econômica da Internet no início e meados dos anos 90.
Enquanto a Arpanet se desenvolveu com direito público a Internet se consolida como uma rede com capacidade de se autofinanciar. Embora isto só venha a se confirmar na segunda metade dos anos 90. Na década de 90 que a rede testemunha a expansão mundial, em 1998 já são mais de 30 milhões de usuários. Na segunda metade da década de 90 a rede ganha, a configuração que assume atualmente. A Internet que nasceu como uma rede de proteção estratégica do sistema, agora é uma ferramenta integrada a ele na forma que passa a constituir o mais novo e promissor mercado do planeta. De todas as aplicações da rede as mais evidentes hoje são o comércio eletrônico (e-commerce) e os negócios em rede (e-business).
No ano 2000 houve uma euforia da rede mundial devido aos valores movimentados e o momento comercial que vivia a Internet, no entanto na sequência veio o grande Boom da rede que começou a enfrentar uma crise gigantesca. A partir daí houve uma queda nos investimentos nas empresas “pontocom” o que resultou em menores investimentos e inúmeras demissões. No ano de 2000 começou uma reestruturação do setor que deve continuar por um bom tempo.
A partir de então, tem início a era das alianças e fusões estratégias entre os “grandes da rede”. É dada ênfase ao fator do conteúdo audiovisual, os internautas passam a desempenhar o papel desejado pela indústria, acessando diariamente a rede em busca de informações num meio onde a programação de conteúdo e a propaganda não possuem limites definidos. Os portais de acesso passam a constituir-se em canais de rede, e assim, como os canais de televisão, adotam-se sistemas de assinatura de serviço de acesso para garantir fidelidade.
Nos anos 90 surgem os primeiros serviços de provimento gratuito de acesso à rede, e logo, adotam-se novas tecnologias de acesso em alta velocidade, o que criou um ambiente propício ao desenvolvimento do e-commerce, e gerou uma série de investimentos em infra-estrutura de rede. A publicidade online começa a ganhar peso, juntamente à publicidade offline. O desenvolvimento econômico da rede refletiu no fortalecimento de algumas empresas típicas de internet durante a década de 90, foi o caso dos portais de conteúdo, busca ou acesso à internet (América On-Line – AOL, Yahoo!, Microsoft), sites de comércio eletrônico (Amazon.com, Barnes&Noble, CDNow, eBay), ou outros portais com ou sem fins lucrativos, como jogos e fóruns online. Tempos depois a AT&T , Dell Computer, Excite e SBC Communications unem-se para oferecer acesso de alta velocidade, utilizando a tecnologia ADSL (Asymetric Digital Subscriber Line).
A internet brasileira ainda enfrentou alguns problemas que implicaram no seu crescimento, tais como poder aquisitivo da população, deficiências do sistema de telefonia fixa e nível cultural da população. No início de 2000, houve alguns confrontos visíveis entre StarMedia e UOL, evidenciados em campanhas publicitárias. Mais tarde a chegada da iG, reacendeu a guerra. De outro lado, concretizou-se a fusão da AOL com a Time-Warner, a maior companhia de informação do mundo com a maior empresa de internet do planeta. Outras fusões como esta vieram a se consolidar na mesma época. Entretanto, como diz Bolaños, a fusão AOL/Time Warner é emblemática, pelo que apresenta de paradigmático no que diz respeito ao futuro das grandes companhias de mídia e dos grandes provedores e portais da internet. Logo, vem à tona a crise da internet, no Brasil, apenas o pioneiro iG se sustentou entre os provedores surgidos entre 1999 e 2000, o qual assinara um contrato com a Telemar em 2001, que veio a gerar disputa com a própria ABRANET e um reposicionamento das companhias telefônicas, reacendendo a criação de provedor de acesso gratuito, assim, o usuário poderia optar pelo provedor do mesmo modo que opta por uma companhia telefônica para realizar uma ligação interurbana. O quadro do início dos anos 2000, indicava que as promessas de inclusão por meio do acesso gratuito não se cumpririam, e que o mercado passaria por um novo processo de concentração.

Ana Paula Zuccolotto, Fernanda Fruett, Júlio Cesar Souza e Sabrina Rizzi

A Arte Rupestre no Brasil

A arte rupestre do Brasil nos ajuda a imaginar como viviam os primeiros habitantes do país, os índios. Através dos registros encontrados é possível ter idéia sobre suas ações, seus ritos, caçadas, lutas e os animais que existiam por perto. Entre essas e outras inúmeras cenas encontradas, estudos chamam atenção para pinturas que podem representar até um pequeno conhecimento astrônomo.
Alguns consideram as imagens rabiscos ou apenas representação do ócio indígena, mas por outro lado, a maioria dos estudiosos as consideram transmissoras de muitos significados. Há até pesquisadores que duvidam que certos grafismos sejam de origem indígena por apresentarem sofisticação e precisão que só poderiam ser de civilizações mais avançadas como gregos, vikings e fenícios que teriam passado pelo território.
A região onde há mais registros de arte rupestre no Brasil é a Nordeste, no estado do Piauí. Conforme o livro A Arte rupestre no Brasil, lá, uma equipe estuda o caso de se ter encontrado pinturas que existiriam a cerca de 26 mil anos. É claro que isso causa muita polêmica, pois se acredita que a chegada do homem às Américas tenha acontecido por volta de 18 e 13 mil anos atrás. Em contrapartida o site Liceu Artes Plásticas no Brasil, as obras mais antigas encontradas também foram no Piauí, mas datam suas existências entre 5000 e 1100 a.C. Portanto, a informação de quando começou o processo dessas decorações não é precisa, mas com certeza a partir de 12.000 A.P (antes do presente. Refere-se aos anos anteriores a 1950) já havia iniciado a ocupação do território e dado início a prática.
Por haver uma grande dispersão das obras, cada região do país possui características diferentes. André Prous, arqueólogo citado no livro A Arte Rupestre no Brasil, estabelece oito diferentes tradições para o território brasileiro. Elas são: Meridional, Litorânea Catarinense, Geométrica, Planalto, Nordeste, Agreste, São Francisco e Amazônia. No mapa abaixo, é possível visualizar a localização.



  • Meridional: Localizada no Sul do Brasil normalmente em blocos isolados, abrigos e grutas, as gravuras são produzidas no arenito através das técnicas de incisão, polimento e picoteamento. As imagens não possuem sulcos maiores de um centímetro e algumas delas possuem pigmentos preto, marrom, branco e roxo. Traços retos paralelos ou cruzados com alguns curvos; ou uma série de círculos que parecem formar pegadas de felídeos são os dois estilos encontrados na região.



  • Litorânea Catarinense: São encontradas em ilhas chegam a até quinze quilômetros da costa. As ilhas com grafismo estão situadas a cerca de vinte a vinte e cinco quilômetros uma da outra, sendo assim vistas como importantes pontos marítimos para o grupo que o fez. Desenhadas no granito e através da técnica de polimento as obras possuem sulcos de até quatro centímetros de largura. Desenhos geométricos e de formas humanas também geométricas são os estilos encontrados.


  • Geométricas: A localização dessas obras atravessa o planalto de Sul a Nordeste. Por abranger uma grande área elas foram subdivididas em setentrional e meridional conforme André Prous e cada uma delas tem suas características. As setentrionais estão próximas a rios e cachoeiras e a maioria foi feita com a técnica de polimento. Nas gravuras, são encontradas representações biomorfas que lembram sáurios ou homens. Já, as meridionais não se localizam próximas à água e algumas delas possuem pigmentação.

  • Planalto: Essa tradição vai do Paraná até a Bahia, mas está mais focada no estado de Minas Gerais. As pinturas, na maioria das vezes, são encontradas em vermelho e raramente em amarelo preta e branca. Aparecem muitos animais como peixes, pássaros tamanduás e algumas formas geométricas. (Santana do riacho MG)



  • Nordeste: São pinturas e gravuras que representam pessoas e animais e algumas figuras geométricas. São encontradas no Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, parte da Bahia e norte de Minas Gerais. Essas obras mostram cenas de caça, dança, guerra, sexo e ritos entre outras.


  • Agreste: Tradição localizada nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Pernambuco, que traz como características de suas obras figuras humanas que lembram espantalhos, geométricas e biomorfas. Pode ser considerada uma mistura das tradições Nordeste com a de São Francisco.


  • São Francisco: Encontrado em Minas Gerais, Bahia Sergipe, Goiás e Mato Grosso o grafismo desta região possui formas geométricas, formas humanas e de animais como cobras, sáurios e peixes. Não existem representações de cenas e normalmente esses registros são encontrados em apenas duas cores (preta e branco) e em determinados lugares a técnica de picotemento foi utilizada.

  • Amazônia: Essa tradição é caracterizada pela sua riqueza de detalhes e simetria, mas foi a tradição menos estudada até agora. Além de figuras humanas que é a principal temática, há gravações curvilineares e figuras geométricas.


Também segundo o livro A Arte Rupestre no Brasil, até 1992 tinham sido descobertos 364 sítios com pinturas ou gravuras rupestres e foram cadastradas cerca de 40 mil figuras.
É uma pena que no Brasil essa arte não recebe os cuidados merecidos. Pois tanto a depredação de turistas como queimadas e ação de vândalos são grandes ameaças a ela.

Referências:

MADU, G.Leitura Rupestre no Brasil.Rio de Janeiro:j.z.e,2003
http://www.espacoacademico.com.br/041/41cjustamand.htm
www.infoescola.com
www.ab-arterupestre.org.br
http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendaarterupestre.htm
http://liceuartesplticasnobrasil.blogspot.com/2008/09/blog-em-construo-aguarde.html


Ana Paula Zuccolotto

Crônica

Querer é Poder
Aceitar ou não aceitar? Eu não sabia o que seria melhor para mim. Eu, bailarina clássica desde criança, já tinha experiência suficiente para saber que seria muito arriscado começar a ensaiar um dos solos considerados mais difíceis no mundo da dança apenas três semanas antes do concurso mais esperado. Era o Bento-em-Dança, que envolve os países do Mercosul.
Uma coreografia para ser bem executada necessita de pelo menos um ano de ensaio diário. Seria querer o impossível topar o desafio. Eram apenas três semanas. As pessoas recomendavam que eu não fosse, diziam que seria arriscar demais e aconselhavam que eu tentasse para o próximo ano. Mas em contrapartida, minha ensaiadora acreditava em mim e tentava me convencer. Dizia que eu tinha capacidade para fazer uma boa apresentação. Talvez não alcançasse o primeiro nem o segundo lugar na colocação, mas treinando poderia chegar ao terceiro.
“Tudo bem. Vou tentar!” Foram três semanas de muito esforço, suor, dores, bolhas de sangue e até distensões, mas eu estava determinada. Agüentei tudo. Era difícil, foi sofrido. Treinar, treinar e treinar. Não havia mais tempo para desistir. “Aconteça o que tiver que acontecer”.
A noite chegou, estava ansiosa. Já atrás do palco, aguardava a finalização da coreografia de uma das minhas concorrentes para que me anunciassem e pudesse dançar.
Não era mais hora de pensar nas dores e bolhas. Só fechei os olhos, pus as mãos no coque, onde havia escondido um tercinho, e pedi a Deus que me guiasse e que meu esforço pudesse ser recompensado. “Chegou a hora!” “Esse é o meu momento.” “ uma única chance.”
Dois minutos se passaram e senti como se tivesse recebido o maior presente do mundo, a gratificação de ter conseguido. Foi perfeito. Superei todos os ensaios. Tudo saiu da melhor forma. Os aplausos e elogios me emocionavam. E como conseqüência de tudo, conquistei o prêmio de melhor bailarina do evento! Que sonho estava vivendo! Não podia acreditar, ninguém conseguia acreditar. Eu transformei algo impossível em possível. Que alegria, que emoção, que presente! “É, valeu a pena”.
A partir daí, comecei a ver tudo de forma diferente. Além do prêmio adquiri algo muito mais importante, uma lição que pretendo levar para sempre: por mais que um sonho pareça distante, ele não é impossível. E a maneira de alcançá-lo é apenas querer.
Ana Paula Zuccolotto

Os Contras do Aborto

Matar um ser humano inocente e indefeso é correto? Interromper o desenvolvimento e o futuro de alguém é justo? Não. O aborto vai contra os princípios éticos e morais. Somos conscientes das exceções criadas pela justiça, que permite a prática em bebês anencéfalos, nos casos de estupro ou quando a gravidez põe em risco a vida da mãe. E concordamos com estas leis. Mas querer matar um filho que, por ser fruto da irresponsabilidade dos pais, não é desejado, porque nascerá em uma família com problemas econômicos ou sociais, ou teve diagnóstico de alguma deficiência, não tem explicação. Como pode ser possível tolerar o aborto sem questionar nossa própria existência?

O aborto é contra a vida.
Embora o nascituro esteja temporariamente dentro do corpo de sua mãe, ele não é parte deste corpo. Numa gestação temos duas vidas e dois corpos.
O Código Penal deixa claro no Parágrafo 4º que tirar a vida de outro ser humano é crime. E as penas para o aborto são citadas nos artigos de 123 a 128 deste mesmo Parágrafo. Ou seja, a lei vale para todas as idades. Será que uma mãe teria coragem de assassinar o filho já nascido, assim como poderia ter feito enquanto ele estava em seu ventre? A situação é a mesma. É um ser humano. É um filho.
Por que não deixar viver? Talvez seja exatamente essa criança que fará algo significativo um dia. Pode-se trazer como exemplo a decisão tomada por uma mulher tuberculosa, e que já havia tido quatro filhos com seu marido, um asmático. O primeiro nasceu cego, o segundo surdo, o terceiro faleceu e o quarto nasceu tuberculoso. Com todos esses fatores, muitas mães teriam abortado o quinto filho, mas ela não. E com isso surgiu Beethoven, um dos músicos mais brilhantes de todos os tempos. Do mesmo modo agiu outra mulher. Esta já havia tido muitos filhos, sendo que dois também haviam morrido, seu marido estava na guerra e a ela não restava muito tempo de vida. Grávida, resolveu deixar seu filho nascer. E essa criança, mais tarde conhecida como João Paulo II, foi quem soube colocar as palavras mais nobres e pacíficas no coração das pessoas.
Por um momento, o aborto pode até parecer a solução para diversos problemas. Mas será que o remorso não virá logo à tona? Será que uma mulher teria sangue frio suficiente para esquecer tal episódio em sua vida? Ela teria audácia para engravidar novamente? Não é possível prever o estrago psicológico na vida da mulher. Depressão, sentimentos de culpa e de perda, abuso de substâncias tóxicas e até mesmo o suicídio são algumas conseqüências previsíveis.
O melhor que se tem a fazer, enfim, é pensar nas implicações antes que o indesejado aconteça. Por que não se prevenir e ser autoconsciente? Na contemporaneidade, dispomos de inúmeros métodos contraceptivos. Não é difícil ter controle da situação.

O aborto é contra os princípios éticos.
Se existe direito ao aborto, existe o real direito a matar qualquer um. A diferença será apenas a idade da vítima. A vida intra-uterina é apenas uma das etapas do desenvolvimento de um ser humano, assim como a infância ou a idade adulta.
Pedro Vaz Patto, membro da Comissão Nacional de Justiça e Paz, declara, em um de seus artigos, que “Negar a qualidade de pessoa a seres humanos na fase inicial de sua vida é tão inaceitável como negar essa qualidade a certas categorias de seres humanos (a escravatura ou o racismo)”.

O aborto é contra o direito à diferença.
Ter alguma deficiência também não é motivo para privar a vida do indivíduo. Todos têm direito a ela. Condições mais graves e complexas, como más formações cardíacas, já podem ser tratadas cirurgicamente, por vezes mesmo antes do nascimento.
O aborto destas crianças contribui para uma desvalorização e discriminação de pessoas com problemas sensoriais, motores e/ou cognitivos, que vivem vidas adaptadas e felizes, apesar das limitações.
Doente ou não, deficiente ou não, qualquer um tem o direito de lutar por sua vida, de defendê-la e tentar superar cada obstáculo encontrado, assim como as pessoas “normais”, que também têm suas dificuldades, o fazem.


Portanto, o aborto não condiz com as atitudes esperadas de um ser humano em sã consciência. Da mesma forma como matar e desrespeitar diferenças são atitudes erradas, o aborto também é. Espera-se que todos colaborem sendo a favor da vida. Quem sabe assim, será possível baixar o índice de abortos no mundo, estimado em 126.000 casos por dia, e poupar muitas vidas. Vidas que, assim como nós, seguirão seus rumos e poderão deixar suas marcas na sociedade.

Ana Paula Zuccolotto, Thais G. e Renata Zanata

Aquarela do Brasil

A Aquarela do Brasil é uma composição de Ary Barroso que foi gravada no ano de 1939. Ela teria sido criada em uma noite de forte tempestade, que fez Ary ficar em casa. Por ser uma obra que engrandece e elogia o país, ela foi considerada o início do movimento samba-exaltação.
A música foi produzida durante o período do Estado Novo (1937-1945), liderado por Getúlio Vargas. Nessa época havia censura no país. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) era responsável por censurar tanto notícias como outras programações que falassem sobre aspectos negativos do Brasil, tentava orientar a opinião pública e fazia propaganda do governo. O trecho de Aquarela do Brasil que diz “terra do samba e do pandeiro” havia sido censurado por desvalorizar o país, mas Ary foi ao DIP defender sua composição e venceu os censores.
A letra da música possui um tom ufanista, e passa ao público a impressão de que o Brasil é um país perfeito, sem problemas e abençoado por Deus. Tantos elogios à pátria fizeram com que Ary fosse criticado por muitas pessoas que o acusavam de apoiar o Estado Novo, que muitas vezes pagava aos artistas para que criassem músicas que saudassem o Brasil. Mas conforme sua família, ele não era a favor dessa política.
A Aquarela do Brasil fez muito sucesso e ainda é muito conhecida. Pode-se dizer que essa música funciona como um aparelho ideológico. Tem capacidade de influenciar o brasileiro por passar uma imagem extremamente positiva. Ela faz com que ele por alguns instantes sinta orgulho do país e esqueça dos problemas existentes.

Aquarela do Brasil
Ary Barroso

Brasil, meu Brasil brasileiro,
meu mulato inzoneiro
vou cantar-te nos meus versos

o Brasil samba que dá
bamboleio que faz gingar
o Brasil do meu amor,
terra de nosso senhor
Brasil pra mim, Brasil pra mim
.
ah! abre a cortina do passado,
tira a mãe preta do serrado,
bota o rei congo no congado
Brasil pra mim, Brasil pra mim
deixa cantar de novo o trovador,
América olha a luz da lua
quando é canção do meu amor
quero ver essa dona caminhando
pelos salões arrastando o seu vestido rendado
Brasil pra mim, Brasil pra mim

Brasil terra boa e gostosa
da morena sestrosa
e de olhares indiscretos

o Brasil samba que dá ...
.
ah! esse coqueiro que dá coco
onde amarro a minha rede
nas noites claras de luar
Brasil pra mim, Brasil pra mim
ah! ouve essas fontes murmurantes
onde eu mato a minha sede
e onde a lua vem brincar
ah! esse Brasil lindo e trigueiro
é o meu Brasil, brasileiro.
terra de samba e de pandeiro
Brasil pra mim, Brasil pra mim
Realidade Brasileira
Ana Paula Zuccolotto