Querer é Poder
Aceitar ou não aceitar? Eu não sabia o que seria melhor para mim. Eu, bailarina clássica desde criança, já tinha experiência suficiente para saber que seria muito arriscado começar a ensaiar um dos solos considerados mais difíceis no mundo da dança apenas três semanas antes do concurso mais esperado. Era o Bento-em-Dança, que envolve os países do Mercosul.
Uma coreografia para ser bem executada necessita de pelo menos um ano de ensaio diário. Seria querer o impossível topar o desafio. Eram apenas três semanas. As pessoas recomendavam que eu não fosse, diziam que seria arriscar demais e aconselhavam que eu tentasse para o próximo ano. Mas em contrapartida, minha ensaiadora acreditava em mim e tentava me convencer. Dizia que eu tinha capacidade para fazer uma boa apresentação. Talvez não alcançasse o primeiro nem o segundo lugar na colocação, mas treinando poderia chegar ao terceiro.
“Tudo bem. Vou tentar!” Foram três semanas de muito esforço, suor, dores, bolhas de sangue e até distensões, mas eu estava determinada. Agüentei tudo. Era difícil, foi sofrido. Treinar, treinar e treinar. Não havia mais tempo para desistir. “Aconteça o que tiver que acontecer”.
A noite chegou, estava ansiosa. Já atrás do palco, aguardava a finalização da coreografia de uma das minhas concorrentes para que me anunciassem e pudesse dançar.
Não era mais hora de pensar nas dores e bolhas. Só fechei os olhos, pus as mãos no coque, onde havia escondido um tercinho, e pedi a Deus que me guiasse e que meu esforço pudesse ser recompensado. “Chegou a hora!” “Esse é o meu momento.” “ uma única chance.”
Dois minutos se passaram e senti como se tivesse recebido o maior presente do mundo, a gratificação de ter conseguido. Foi perfeito. Superei todos os ensaios. Tudo saiu da melhor forma. Os aplausos e elogios me emocionavam. E como conseqüência de tudo, conquistei o prêmio de melhor bailarina do evento! Que sonho estava vivendo! Não podia acreditar, ninguém conseguia acreditar. Eu transformei algo impossível em possível. Que alegria, que emoção, que presente! “É, valeu a pena”.
A partir daí, comecei a ver tudo de forma diferente. Além do prêmio adquiri algo muito mais importante, uma lição que pretendo levar para sempre: por mais que um sonho pareça distante, ele não é impossível. E a maneira de alcançá-lo é apenas querer.
Ana Paula Zuccolotto
A bailarina tem namorado!
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